Poema - Aprendendo a Falar

 

                            ESTEBAN, Esteban; Silêncio; Dispinível em: https://br.pinterest.com/estebansteam4/



APRENDENDO A FALAR


Sou uma boca cheia de línguas prezas

Esforço-me muito para falar

São várias línguas e uma boca cheia

Vivo tentando desembaraçá-las para poder falar

Falar sobre alguma coisa

Meu corpo é preguiçoso, não quer me ajudar

Mas quero falar, vivo para falar e quando paro

Morro...

Nada mais quero do que falar

Falar

Agora vivo

Quero meu violão, em roda, fazendo comunhão

Minha boca, boca. Onde eu estiver

Meu ouvido aço, ouça, ouvidor

Minha mente desenganadora

Meu respeito compreensivo de nós

Quero que meu ego saiba medir-se

Meus olhos enxerguem ao menos vultos e borrões

E dessa comunhão o fruto de novamente poder falar

Pela primeira vez

Muitas vezes

Como a gozar a vida

Mas também rir da cara dela

Sem responsabilidade

Porém, distintamente convencido de mim




Mundo, mundo, vasto mundo

sua verdade é uma esperança impronunciável



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